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NOTA DE REPÚDIO

O Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos – CBCP manifesta seu mais veemente repúdio às declarações de cunho capacitista proferidas pelo Secretário Municipal de Esportes de São Caetano do Sul, amplamente divulgadas nas redes sociais e veículos de comunicação. 

As manifestações divulgadas afrontam diretamente os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana, da igualdade, da não discriminação e da promoção do esporte como direito social assegurado pela Constituição Federal, além de se mostrarem incompatíveis com os deveres inerentes ao exercício da função pública. 

Causa especial preocupação que falas dessa natureza partam justamente de um agente público responsável pela formulação e execução de políticas esportivas, especialmente alguém com trajetória vinculada ao cenário esportivo paulista. De representantes do poder público espera-se postura compatível com os valores da inclusão, da acessibilidade, do respeito à diversidade humana e da promoção de oportunidades para todos. 

O posicionamento do CBCP decorre não apenas do compromisso institucional com a defesa dos direitos das pessoas com deficiência, mas também da própria missão desempenhada pelo Comitê no fortalecimento do movimento paralímpico e paradesportivo nacional. Diariamente, o CBCP atua no fomento ao esporte para pessoas com deficiência, apoiando clubes, entidades, atletas e projetos em todo o país, contribuindo para a ampliação do acesso ao esporte, da inclusão social e da construção de ambientes mais acessíveis, acolhedores e igualitários. 

Nesse contexto, é inadmissível que cidadãos com deficiência sejam tratados como problema, dificuldade administrativa ou fator de desconforto institucional. O capacitismo constitui prática discriminatória que reforça barreiras sociais históricas e contribui para processos de exclusão e invisibilização. 

O movimento paralímpico e paradesportivo brasileiro é resultado de décadas de construção coletiva, dedicação e resistência. Todos os dias, milhares de pessoas trabalham para assegurar que o esporte seja instrumento de cidadania, autonomia, pertencimento, inclusão social e transformação humana. 

Declarações dessa natureza não representam apenas desrespeito individual, mas também grave retrocesso social incompatível com os avanços institucionais, legais e civilizatórios conquistados pela sociedade brasileira na defesa dos direitos das pessoas com deficiência. 

O CBCP reafirma seu compromisso institucional com o fortalecimento do paradesporto nacional, com a promoção de ambientes esportivos verdadeiramente acessíveis e inclusivos e com a defesa incondicional da dignidade e dos direitos das pessoas com deficiência. 

A inclusão não constitui favor, concessão ou tolerância. 

Trata-se de direito fundamental, dever do Estado e compromisso permanente de toda a sociedade. 

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